15 Setembro, 2009
Olá a todos! Namaste!
A partir de Dezembro acontecerá aqui em Curitiba o Curso de Formação para Professores de Yoga na Tradição de Krishnamacharya, que será ministrado por Jorge Knak e Nazaré Cavalcanti.
Já há alguns meses o Jorge vem ministrando workshops em Curitiba e nos apresentando à Tradição de T. Krishnamacharya.
Agora, finalmente, teremos a oportunidade de conhecer e aprender mais dessa linhagem tradicional do Yoga.
O curso terá a duração de dois anos e meio e é regulamentado pelo Krishnamacharya Healing and Yoga Foundation.
Maiores informações e como fazer a inscrição, você encontrará clicando abaixo:
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E para saber mais sobre quem foi T. Krishnamacharya clique no link abaixo:
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Um abraço!
Christiane Freitas
Categoria: auto-conhecimento · ayurveda · comportamento · filosofias · mantras · posts da Christiane · saúde · vedanta · yoga
26 Junho, 2009
Há tempos atrás, passei por um período atribulado e um amigo indicou-me um pequeno livro chamado
“A essencial arte de parar”, do Dr. David Kundtz, Editora Sextante. Fui até a livraria, comprei o tal livrinho e nem sequer o abri, não deu pra parar para lê-lo. Acabou indo para uma pequena pilha de livros aguardando tempo para serem lidos.

Um dia, saindo apressada para levar minha filha na aula de música, resolvi pegar algo para ler enquanto aguardava. E lá estava o livrinho, no topo da pilha, pequeno, fininho, parecia algo que eu podia ler em 40 minutos. Saí com filha, violão, bolsa, guarda-chuva e livro, traçando mentalmente os meus próximos compromissos.
Comecei a ler o livro, parecia que havia sido escrito especialmente para mim (é tão bom quando isso acontece, não é?).
O autor fala justamente desses momentos em que você se dá conta de que está muito acelerado, como que sendo arrastado por um turbilhão de afazeres e acontecimentos; e muitas vezes com a sensação de que, apesar de a agenda estar cheia, o seu mundo está vazio.
A maioria de nós tem a vida extremamente agitada e muitos procuramos o Yoga e outras atividades similares com as mesmas queixas: ansiedade, irritação, estresse, dificuldade para dormir, desatenção, etc. Procuramos um modo de conseguir mais serenidade e equilíbrio para lidar com nossas vidas.
O mundo hoje é muito acelerado e tudo é para ontem. Sempre temos medo de estarmos perdendo tempo ou oportunidades e, por isso, vamos entulhando nossas vidas de coisas e de atividades. E depois de um tempo de ritmo intenso, nossa energia naturalmente começa a diminuir.
Todos nós temos ritmos diferentes, mas dificilmente aceitamos ou aplicamos isso em nossas vidas. Tentamos imitar um ritmo que não é o nosso. Os comerciais da TV são especialistas em mostrar isso: pessoas sempre “produzindo”, cheias de energia, passando de uma atividade para outra. Esse é o perfil idealizado do “Homem moderno” apregoado em diversos meios de comunicação: a pessoa que nunca pára. Quem não se encaixa nesse perfil, até se pergunta “será que eu tenho depressão?”
O livro mostra que o excesso (que o autor chama de “o demais”) não é percebido pois vem disfarçado. Ele não aparece de repente, mas vai se infiltrando em nossas vidas. A metáfora da mala de viagem ilustra isso: nós vamos enchendo a mala com cada vez mais coisas; durante um tempo ela ainda fecha, mesmo que tenhamos que apertar, ou sentar em cima. Mas um dia, mesmo que você tente colocar um simples par de meias, ela vai estourar as costuras. E é assim com o nosso crescente aumento de atividades: ele vem aos poucos, insidioso, sorrateiro, até se tornar “o demais”.
Começamos então as duas estratégias para lidar com o excesso de atividades: comprimir e suprimir. Comprimindo, fazemos o mesmo que fazemos com a mala de viagem: damos um jeitinho de apertar, apertar e colocar mais coisas dentro do nosso dia. Suprimindo, vamos cortando cada vez mais coisas do nosso dia para caber as novas atividades que se impõe: deixamos de almoçar para fazer algum trabalho, dormimos menos para terminar algo que não deu para fazer no dia, deixamos de visitar amigos ou parentes para levar filhos em algum lugar, etc. A lista é bem grande e, com certeza, cada um tem a sua.
É claro que, ocasionalmente, todos nós temos que estabelecer algumas prioridades. E, de vez em quando, podemos ficar sem almoço, furar uma visita a alguém, dormir mais tarde, trabalhar o final de semana inteiro, etc. O problema não é o “de vez em quando”, mas sim o frequentemente, o “quase sempre”. Se isso começa a acontecer, estamos entrando no perigoso domínio do excesso, e com certeza ele vai minar nossas energias. Esse é o mundo de rajas, o modo da paixão, onde a agitação desgasta a saúde física e mental.
Essa leitura também me lembrou de um artigo que o professor de yoga
Marcos Rojo escreveu na revista
Prana Yoga Journal (abril/09), intitulado “Reeducação das funções básicas – como desaprendemos a relaxar e respirar”. No texto, ele nos fala sobre como o estilo de vida que adotamos hoje prejudica parte de nossas funções básicas, e como precisamos reaprender a andar, correr, respirar e (como também diz o autor do outro livro) relaxar, parar. Ele diz que “de todas essas perdas, as que mais me chamam atenção são a perda da capacidade de relaxamento e da capacidade de observar passivamente. Esses são dois componentes básicos para o aspirante à meditação.”
Parece que esse é o grande desafio para muitos que chegam para praticar o Yoga: reaprender a relaxar, a parar, a respirar.
Aprendendo a parar, começaremos a nos tornar mais despertos, mais conscientes de nós mesmos, de nossos sentimentos, de nossas necessidades e, consequentemente, faremos escolhas mais equilibradas. É esse o caminho do Yoga.

E eu paro por aqui!
Um abraço!
Christiane Freitas
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13 Maio, 2009
Namaste!
O uso terapêutico dos óleos essenciais tem despertado cada vez mais o interesse de pessoas que buscam métodos mais naturais de cura e equilíbrio. A Aromaterapia tem beneficiado pessoas de todas as idades, auxiliando a equilibrar e promover mudanças positivas em todos os níveis: físico, emocional, mental e espiritual.
No dia 30 de Maio estaremos recebendo aqui no Navrattna Yoga - Estúdio Alto da XV Alessandra Kali com o Curso de Aromaterapia para o uso no di-a-dia – Roda de Cheiros.
Alessandra é aromatologista e terapeuta natural, integrante do corpo docente da Aromalândia Óleos Essenciais.
Durante o curso, ela irá falar sobre os principais óleos essenciais, as formas de utilização e preparo de produtos com esses óleos, além de nos contar um pouco sobre a história da Aromaterapia.
Participe e venha aprender um pouco mais sobre esse tema fascinante!
O curso é no sábado, dia 30 de Maio, das 09:00 às 18:00 hs.
O valor do investimento é de R$ 150,00 à vista ou em 2 vezes de R$ 90,00.
As inscrições poderão ser feitas no Navrattna do Alto da XV até o dia 27 de Maio. Garanta sua participação com antecedência, pois as vagas são limitadas.
Maiores informações : 3077-2756 ou 9228-2597.
Um abraço a todos!
Christiane Freitas
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17 Abril, 2009
Niyama significa observâncias ou abstinência e refere-se a atitudes que adotamos para conosco. É o desenvolver do auto-comedimento estimulando comportamentos que vão nos trazer mais equilíbrio e bem estar, gerando uma mudança interna que leve ao despertar de nossa real natureza. É o segundo passo do caminho óctuplo sistematizado por Patanjali.
Além disso, Niyama objetiva disciplinar os órgãos dos sentidos, purificando e direcionando nossa energia vital para a elevação da consciência e o desenvolvimento do estado de Yoga. Assim como no passo anterior, Niyama é formado por cinco princípios:
- SAUCHA – significa pureza, não apenas no sentido físico, mas também mental e emocional. No aspecto físico, é a higiene do corpo, externa e internamente, que vai desde cuidar da alimentação, evitando ingerir alimentos que não são benéficos para a saúde física e o estado mental ou que dilapidem a energia do corpo, até a limpeza das fossas nasais, intestinos e estômago. Essas limpezas internas fazem parte de um grupo de técnicas do Hatha Yoga chamado Kriyas, ou rituais de purificação (essas técnicas só devem ser praticadas se orientadas por professores experientes). Além dessas técnicas, os ásanas e pranayamas também promovem a purificação no corpo físico (
annamaya kosha) e sistema energético (pranamaya kosha). Na dimensão mental e emocional, saucha se manifesta por um estado de pureza interior, o que nos leva a desenvolver uma sensação de calma e clareza. Esse preceito está ligado ao desenvolvimento de um estado de ordem interna, no qual as emoções que geram aflição e turbulência vão gradativamente se dissolvendo. Saucha também leva a uma simplificação da vida, assim como aparigraha (ver texto yama ): começamos a nos livrar de, ou limpar tudo, que não nos é necessário, seja no aspecto físico ou mental. Mantendo o corpo puro, podemos alcançar o entendimento de nossa essência, essa sim livre dos efeitos do tempo e da degradação. Por isso, saucha no aspecto físico é tão necessário quanto no aspecto mental, para que possamos estar aptos a expressar essa essência. Como nos diz BKS Iyengar: “ o corpo é seu templo. Mantenha-o puro e limpo para que a alma possa habitá-lo.”
À medida que saucha se (nos) desenvolve, num sentido mais profundo também nos leva a entender que somos muito mais do que esse corpo que é impermanente e que vai entrar em decadência pela força das leis naturais do mundo material.
TKV Desikachar, em seu livro “O Coração do Yoga” nos dá a seguinte tradução dos sutras que falam de saucha (Yoga Sutra, II-40/41):
40 – “quando a limpeza é desenvolvida, ela revela o que precisa ser constantemente mantido e o que é eternamente limpo. O que decai é externo. O que não decai está profundamente dentro de nós.”
41- “além do mais a pessoa se torna capaz de refletir sobre a natureza mais profunda de sua própria individualidade, incluindo a fonte da percepção, sem ser distraída pelos sentidos e livre da compreensão errônea acumulada no passado.”
Então, saucha é capaz de nos conduzir a um estado mental feliz, focado, no qual nossos sentidos estejam sob controle. Sem o cultivo da limpeza do ambiente, dos hábitos, do corpo e da mente (e coração), a turbulência gerada pelas toxinas físicas e mentais nos impede de avançar no caminho do Yoga.
SANTOSHA – significa contentamento. É desenvolver a aceitação e acontece quando conseguimos nos adaptar às coisas e ficamos em paz. Não se trata de resignação ou acomodação, mas uma aceitação real e profunda, independente das adversidades que surjam pelo caminho. Frequentemente vamos sofrer com frustrações ou desapontamentos em nossas vidas, pois nem sempre os resultados de nossos esforços irão de encontro às nossas expectativas, seja no trabalho, nos relacionamentos ou até mesmo na busca espiritual. Desenvolver santosha é conseguir transmutar nosso sentimento de eterna insatisfação para aceitação. É nos libertarmos de sempre querer que “as coisas fossem diferentes”, sempre achar que “não está bom”, que “não é justo”, e muitos outros pensamentos que nos empurram para a tristeza e mais frustração. O sutra nos diz que “o contentamento nos traz a felicidade suprema (YS II-42)”. Através de santosha, nós procuramos modificar nosso estado mental da insatisfação perene para a satisfação e aceitação, aprendemos a encontrar alegria nos resultados que vem automaticamente de nossos esforços, sejam eles melhores ou piores, e a utilizar essa experiência como fonte de crescimento e aprendizagem.
TAPAS – significa disciplina e esforço, tendo também o significado de calor ou fogo interior. Através de tapas, conseguimos força para superar as fraquezas e condicionamentos que nos levam aos hábitos não saudáveis e ao sofrimento. O calor interno gerado por tapas nos leva um pouco mais perto de nossa essência, nos ajudando a eliminar as impurezas físicas e mentais que impedem nosso progresso em todos os níveis. Praticar esse preceito significa desenvolver o comprometimento e o esforço para se manter em uma ação, seja ela sua prática espiritual, ou a prática de ásanas, ou um determinado trabalho, ou uma reeducação alimentar, etc. Tapas trata de auto-superação, força de vontade e determinação. E a própria prática vai alimentando esse calor interno, aumentando a determinação e fortalecendo nossa vontade, ou seja, devemos nos comprometer com a ação proposta e mantê-la, ainda que no início seja difícil. Vejo esse exemplo quando se trata da prática da recitação de mantras com o uso do
japamala. Muitos praticantes dizem não conseguir, mas quando insistimos que tentem nem que seja uma volta, meia volta, duas recitações, eles próprios percebem que depois foi ficando mais fácil e hoje a prática já se estabeleceu. Manter o foco e a determinação desenvolve a força de vontade e a motivação.
O sutra ainda nos diz que “da disciplina e da eliminação das impurezas vem a perfeição do corpo e dos sentidos. (YS II-43)”. Mantendo a disciplina e o calor gerado por ela, superamos as tendências inconscientes que nos levam aos hábitos desregulados, tanto físicos quanto mentais, e que nos intoxicam o corpo e os sentidos com os mais diversos tipos de impurezas, o que gradualmente nos empurra para o sofrimento.
SVADHYAYA – significa o auto-estudo e também o estudo das escrituras e textos sagrados que nos levam a um maior entendimento a respeito de nós mesmos, do mundo que nos cerca e de nossa real natureza. O auto questionamento e a compreensão a respeito de si, são passos imprescindíveis para avançarmos em direção ao estado de Yoga. E esse auto-estudo pode e deve ser feito nas atividades do dia-a-dia, nas pequenas coisas que nos acontecem: como estou hoje, o que determinado acontecimento me fez sentir, etc. Nem sempre esse exercício é fácil, pois muitas vezes tendemos a nos esconder de nós mesmos, e nossa mente segue criando desculpas e histórias fantasiosas para nos distrair. Outros obstáculos para o auto-estudo são a condescendência, que nos transforma em vítima de tudo e todos, ou a inflexibilidade e crítica exagerada, que mina a auto-estima. Todas essas dificuldades vão impedindo uma investigação clara e objetiva a respeito de nossos padrões. E é aí que entram os textos e escrituras antigas, que servem como pontos de referência para svadhyaya.Não basta apenas ficarmos nos observando e analisando; precisamos de ajuda, uma lanterna que nos guie em direção à superação de nossas tendências negativas e ao desenvolvimento de nossa força interior, nossa essência divina. Sem ter um ponto de referência fica muito fácil se perder e ficar andando em círculos. Além do desperdício de tempo e esforço, muitas pessoas quando se vêem sem um ponto de referência, abandonam a prática espiritual. É através do estudo de textos que orientam essa prática que desenvolvemos a sabedoria, que vai nos ensinar como lidar com o produto de nossa auto-análise. E essa sabedoria nos encaminha para a expressão de nossa verdadeira essência e a comunhão com forças mais elevadas, a comunicação com o Divino. O sutra nos diz “a união com a divindade escolhida vem do estudo de si mesmo através dos textos sagrados” (YS II-44). Ainda sobre este sutra, Sw. Hridayananda em sua tradução comentada do Yoga Sutra diz: “ao estudar os textos sagrados imediatamente entramos em comunhão com a deidade abordada no texto sob estudo.” Ele diz ainda que o propósito final é desenvolver nossa relação com Deus e que mesmo para os que já atingiram esse patamar, existem diferentes aspectos de Deus que podem ser escolhidos como objeto de devoção.
ISHAVARA PRANIDHANA – é a entrega dos frutos das ações ao Ser Supremo, a Deus. O sutra nos diz que “ a contemplação (iluminação espiritual) é conquistada por meio da devoção a Deus” (YS II-45). Para muitos, é o ápice da prática espiritual. É desenvolver a total confiança e entrega a Deus, dedicando todas as suas ações em serviço ao projeto divino. Essa entrega nos ajuda a desenvolver um sentimento de amparo e nos liberta da escravidão aos nossos desejos e aversões; uma vez que temos a compreensão de que todos os frutos de nossas ações não nos pertencem, da mesma forma como nossos filhos não pertencem e tomarão o rumo que lhes foi ensinado conforme desígnios superiores, começamos a ter ações baseadas não em uma percepção egoísta do mundo, mas com um espírito de desapego, devoção e serviço a uma ordem maior.
Devemos procurar utilizar tanto yama quanto niyama como uma forma de auto-conhecimento e transformação e não apenas uma lista a ser seguida. Incorporar esses preceitos trata de refinar-se aos poucos, pois ao alinhar nossas vidas com eles, com certeza as transformações virão, no devido tempo.
Um abraço!
HARI OM
Christiane Freitas
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18 Março, 2009
Namaste!
O primeiro passo no sistema óctuplo de Patanjali é um código de conduta formado por cinco princípios regentes conhecidos como Yama, que intencionam promover um comportamento auto-controlado e voltado para o bem comum. Yama, em sânscrito significa morte, podendo-se dizer que é o deixar morrer todas as atitudes que geram obstáculos à evolução da consciência e ao desenvolvimento espiritual. Normalmente, esse termo é traduzido como controle, restrição ou proibição.
Yama são os princípios de conduta moral e de ética elevados que, juntamente com niyama, alicerçam a vida do yogui e o ajudam a gerar um estado mental sadio e livre de ignorância. É impossível pensar na prática do Yoga sem a aplicação desses princípios.
Os cinco preceitos que formam Yama são:
AHIMSA – significa não-violência, é a renúncia à intenção de prejudicar quem quer que seja. Através do desenvolvimento de ahimsa aprendemos a resistir aos impulsos de causar sofrimento ao próximo e a criar espaço para sentimentos de paz e harmonia. Ahimsa engloba muito mais do que o aspecto físico: é diminuir a irritabilidade, a agressão silenciosa, que pode surgir através do olhar (ou do não olhar) ou de pensamentos nocivos.
A violência pode ser muito sutil e aparecer através das palavras ou mesmo do silêncio, também através de gestos e expressões de nosso corpo. Quando nos colocamos dispostos a desenvolver ahimsa, procuramos estabelecer uma vida de respeito a tudo que nos cerca, com atitudes benevolentes, dirigindo nossa atenção para substituir os pensamentos, sentimentos e atitudes de agressividade e irritabilidade por outros mais positivos. Durante a prática de ásanas, por exemplo, aplicar o preceito da não-violência significa respeitar os limites de seu corpo, respeitar a sua respiração e ter paciência para avançar sem se machucar.
“ Para aquele situado em não-violência, a hostilidade irá desaparecer ao redor.” (Yoga Sutra II-35). Como diz o sutra, as pessoas que se ancoram firmemente no comportamento não violento acabam por contagiar o ambiente ao redor e paulatinamente as energias de violência em sua presença cessam. Mas a paz precisa sempre ser cultivada de dentro para fora, com entrega e verdade.
SATYA – significa veracidade. É o viver comprometido com a verdade. Assim como em ahimsa, a verdade inclui não apenas nossas palavras, mas atitudes, gestos e pensamentos. Também significa manter a coerência entre eles. Pensar uma coisa e dizer outra não é satya. Querer aparentar o que você não é, distorcer ou omitir a verdade para proveito próprio, nada disso é satya. É claro que muitas vezes nos vemos (ou nos colocamos) nessas situações, mas o sutra nos aconselha a manter sempre a veracidade em pensamentos, palavras e ações, pois “para aquele situado na veracidade, o resultado corresponde à ação” ou “a ação trará frutos reais” (YS II-36). Quando aprendemos a nos comunicar com verdade os frutos de nossas ações são reais e proveitosos, pois não são baseados em falsidade e engano.
Aplicar satya na prática de ásanas, por exemplo, é manter claro quais são nossos objetivos e intenções e também estar aberto para reconhecer e aceitar as sensações e sentimentos que ela nos trás, ainda que muitas vezes eles possam não ser tão nobres quanto gostaríamos.
Um pequeno lembrete: manter-nos na verdade é importante, mas devemos lembrar de fazer isso respeitando o primeiro preceito, que é ahimsa, não-violência. Não devemos sair ferindo os outros e a nós mesmos com o que pensamos ter certeza que é a verdade. Devemos ser verdadeiros sem sermos violentos. Isso requer prática e humildade.
ASTEYA – significa não roubar, não tomar para si o que não lhe pertence. Quase sempre o primeiro pensamento que nos vem à mente com relação a esse preceito são os objetos materiais: dinheiro, livros, roupas, etc. Mas asteya vai muito mais além, também se refere à apropriação indébita de mérito, idéias, tempo e até mesmo a paciência e confiança dos outros. Uma pessoa estabelecida em asteya aprende a controlar e transmutar a cobiça e a compulsão possessiva. O sutra nos diz que “ para aquele situado em não-roubar, todas as jóias (riquezas) estarão à mão” (YS II-37). As jóias de que fala o sutra são muito mais do que bens materiais. Significa tudo o que há de mais precioso quanto aos relacionamentos, ao convívio e à satisfação de ter uma atitude reta e virtuosa.
BRAHMACHARYA – é compreendido comumente como celibato e abstinência sexual. Também podemos interpretá-lo como a ação “brahmínica” (de um brahmana), daquele que age com moderação e controla os sentidos e o apetite, em todos os níveis, inclusive o sexual. Essa palavra contém a raiz “car”, que significa “mover”. Encontramos esse termo traduzido muitas vezes como “caminhar em direção a Deus” ou caminhar no sentido do que é essencial. Segundo
TKV Desikachar: “ brahmacharya sugere que deveríamos estabelecer relacionamentos que favorecessem nossa compreensão das verdades mais elevadas.” Para tal, é importante prevenir a dissipação de energia pelo mau uso de nossos sentidos. Ao evitarmos nos deixar dominar pelas paixões, conquistamos vitalidade e evitamos que nossos sentidos e impulsos controlem nossas ações, o que dificilmente vai gerar bons frutos. Através de brahmacharya evitamos esbanjar nossa vitalidade com o que não é importante, evitamos os estímulos e comportamentos impróprios e incompatíveis com uma prática que tem como objetivo final a liberação.
Com relação à conduta sexual, para algumas pessoas o celibato é o caminho, para outras não. Mas mesmo neste caso, uma vida de moderação e controle é necessária, para que não haja a dispersão da energia vital, da criatividade e vigor que vêm com essa energia. Ao aplicar esse preceito na prática de ásanas devemos nos lembrar de dirigir nossa energia ao que é necessário para executar e manter a postura. O desperdício de energia acontece, por exemplo, quando tencionamos os ombros, ou franzimos a testa para fazer uma postura que está utilizando a musculatura das pernas. Como nos ensina o sutra “ para aquele situado em moderação, advém a potência (vitalidade).” (YS II-38)
APARIGRAHA – significa não-possessividade, desapego, não acumulação do que não é realmente necessário. Para aplicarmos aparigraha, devemos desenvolver bom senso e disciplina, a fim de evitar sucumbir aos nossos desejos sempre móveis e insaciáveis. Não se trata apenas de ter pouco, mas principalmente a forma como nos relacionamos com o que temos. Podemos ter quase nada e sermos extremamente apegados a esse nada, o que também vai contra esse preceito. Também trata do controle dos apetites, controlar a gula pelas posses, que é uma característica da humanidade hoje. Segundo
Lia Diskin, uma das fundadoras da
Associação Palas Athena, “quanto mais necessitamos, menos autonomia criamos; a dependência de coisas desnecessárias rouba a nossa liberdade, exaure o nosso tempo e depaupera nossas economias. Provoca interiormente um sentimento crônico de carência, impotência, insatisfação e, de modo simultâneo, gera a fantasia de que uma vez saciada a necessidade ficaremos felizes e satisfeitos.” A prática de aparigraha, embora vá contra a nossa cultura consumista e muitas vezes seja difícil de manter, ajuda a desenvolver a liberdade e a leveza, pois começamos a entender que nada do que temos nos pertence realmente, pois a vida é temporária e tudo vai acabar um dia, e as coisas vem e vão. Na prática de ásanas, significa utilizar-se do que é realmente preciso para o progresso de sua prática, sem ficar colecionando técnicas ou posturas que muitas vezes, ao invés de ajudar no processo de auto-conhecimento e liberação, só criam mais apego e confusão.
O sutra nos diz: “Ao situar-se em não possessividade, ganha-se o profundo entendimento do significado da vida” (YS II-39). Quando nos contentamos com o necessário, sem acumular o que não é importante, desenvolvemos também a gratidão e o sentimento de liberdade com relação ao que é do mundo material , nos criando menos apegos e amarras.
Assim, finalizamos essa pequena explanação sobre Yama. Procure refletir, meditar sobre eles e aos poucos introduzi-los em sua vida. Vá com calma, procurando segui-los com bom senso e compaixão. Aos poucos, as modificações internas e externas acontecerão.
Um abraço a todos!
HARI OM
Christiane de Freitas
Fontes:
- “ O coração do Yoga” – TKV Desikachar – Ed. Jaboticaba
- “ Yoga Sutra de Patanjali, uma abordagem prática” – Howard J. Resnick (Hridayananda Das Goswami Acharyadeva)/Gustavo Dauster – Ed. Paraíso dos Pandavas
- Enciclopédia de Yoga – Georg Feuerstein – Ed. Pensamento
- Prana Yoga Journal – Ed. 07 – artigo “A arte de conviver” – Lia Diskin
Ed. 019 – artigo “ De volta ao básico” – Pedro Kupfer
Ed. 025 – artigo “ Caminho para a felicidade” – Hillari Dowdle
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5 Março, 2009
Namaste!
É quase impossível falarmos sobre o Yoga sem citarmos o milenar texto conhecido como “Yoga Sutras” e seu organizador, Patañjali. Apesar de ser um texto complexo, e por vezes até mesmo incompreensível, à medida que vamos nos aprofundando nele, fazendo leituras sucessivas, muitas vezes comparando as traduções e comentários disponíveis e,se possível, contando com a ajuda de professores, orientadores, mestres ou estudiosos verdadeiros e experientes no assunto, podemos ir desenvolvendo o entendimento desse que é um verdadeiro mapa para acharmos o caminho certo em como lidar com nossas mentes e que é totalmente atualizado para o nosso dia-a-dia.
Segundo a tradição, Patañjali foi uma encarnação de Ananta, o Senhor das serpentes com mil cabeças, que aparece como a “almofada” de Vishnu, que é uma das manifestações (expansões) de Deus, em sua forma Mantenedora do Universo. Conta-se que Ananta desejava passar o conhecimento do Yoga na Terra e para isso desceu/caiu (pat) dos céus nas mãos em prece (anjali) de uma mulher virtuosa chamada Gônika.

Patañjali viveu, segundo alguns estudiosos, provavelmente no século II aC, mas as opiniões quanto a essa data não são unânimes . Mas o fato é que Patañjali compilou e sistematizou um conhecimento já existente há muito tempo.

Essa compilação tornou-se a obra Yoga Sutra. Essa obra possui 196 sutras ou aforismos, divididos em 4 capítulos. A palavra sutra pode ser traduzida como fio. Essa era uma forma muito comum de transmitir um conhecimento em uma época na qual não eram comuns ou não existiam livros escritos e a transmissão do conhecimento era basicamente oral . O sutra sintetizava ao máximo o conhecimento que já havia sido estudado em detalhes anteriormente, facilitando sua memorização. Os aforismos do Yoga Sutra delineiam os princípios fundamentais do Yoga, e são conhecidos como os oito membros ou oito passos do Yoga, ou Ashtanga Yoga (ashta- oito, anga – partes, menbros). Esses oito passos são como uma jornada que vai se desenrolando através da prática do Yoga e nos mostram que essa prática vai muito além da realização das posturas físicas.
Esses passos tratam de auxílio para a transformação e para a realização espiritual, uma preciosa ajuda para eliminar aos poucos as atividades e comportamentos que não são condizentes com o estado de Yoga, objetivo final do praticante.
Sobre a evolução do individuo no caminho óctuplo, há pessoas que pregam que devemos ascender sequencialmente cada um dos passos, desenvolvendo totalmente um estágio para subir para o próximo degrau da escada. Outros acreditam que a evolução se dá em níveis com todos os passos ao mesmo tempo, sendo que o individuo vai progredindo cada vez mais em todos eles, concomitantemente. Pessoalmente, sinto-me mais inclinada a este ponto de vista e lembro-me de uma bela metáfora utilizada para explicar essa idéia: a imagem de uma flor que tem todas as suas pétalas em contato com as outras. As pétalas simbolizam as diversas práticas, onde cada uma (como as pétalas da flor) contribui para a criação de um todo. Visto assim, não há um ponto de partida ou uma progressão clara, sendo possível vários caminhos e inícios, onde tudo está conectado.
Yama e Niyama são os dois primeiros membros do corpo do Yoga.
Os dois tratam de nossa atitude social, nossa interação com os outros e com o que está a nossa volta (estilo de vida) e como lidamos com os nossos problemas pessoais. A prática de yama e niyama nos ajuda a dar os primeiros passos para a percepção de atitudes que podem nos manter presos ao sofrimento; ainda que muitas vezes elas não possam ser mudadas de um dia para o outro, yama e niyama nos apontam a direção para uma mudança positiva, o que vai com o tempo nos afastando de atividades negativas para o nosso desenvolvimento e nos trazendo mais equilíbrio.
Yama são os princípios éticos gerais: significa controle, disciplina, restrições ou proscrições. Estimula padrões éticos e morais elevados de comportamento ou relacionamento entre o indivíduo e o mundo exterior.
Niyama, significa abster-se, e são atitudes que adotamos para conosco, significa desenvolver o auto-comedimento e estimular comportamentos que vão nos trazer mais equilíbrio e bem estar.
Cada um dos dois primeiros passos é composto de 5 preceitos, que são:
YAMA - Ahimsa – não violência
Satya – verdade
Asteya – não roubar
Brahmacharya – conduta “brahmínica”, continência e moderação
Aparigraha – não cobiçar
NIYAMA– Saucha – pureza
Samtosha – contentamento
Tapas – Austeridade e esforço
Svadhyaya – compreensão de si mesmo
Ishvara Pranidhana – entrega das ações ao Supremo
Para incorporar os Yama e Niyama em nossas vidas é preciso que fiquemos atentos às nossas ações diárias e, é claro, uma boa dose de disciplina e esforço.
Com relação a esse esforço e atenção, gosto de uma passagem do livro “O coração do Yoga”, de TKV Desikachar, na qual ele diz:
“O objetivo do Yoga é nos estimular a sermos um pouco melhores do que éramos antes. Tornamo-nos melhores pelo esforço e praticando a paciência. Quando agimos assim, não nos vemos cercados de tantos problemas. Nossos esforços podem mudar em intensidade, mas passado algum tempo, gradualmente experimentaremos progresso. Devemos ativamente aproveitar toda oportunidade que nos ajude a progredir.” (pág.165)
Seguiremos no próximo texto falando um pouco mais sobre o primeiro passo: Yama.
Um abraço
Christiane Freitas
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15 Fevereiro, 2009
Olá a todos!
Hoje vamos falar um pouco sobre o cumprimento usado na Índia e em diversos lugares do Oriente: o gesto de unir as mãos em frente ao peito, algumas vezes acompanhado da expressão “Namastê”.
A palavra Namaste (pronuncia-se namastê) é oriunda da junção das palavras sânscritas namas que significa saudação, reverências, e te que significa para ti ou para você.
Essa expressão é utilizada na Índia como uma forma de cumprimento, como um “olá”, assim como o “Namaskar”, uma maneira mais formal de cumprimento, que também é bastante utilizado. Acompanhando essa expressão, temos o gesto conhecido como Anjali Mudrá e também como Pronam ou Pranama Mudrá, que consiste em unir as palmas das mãos em frente ao peito, inclinando levemente a cabeça.

Aqui no Ocidente, essa forma de cumprimento tornou-se muito popular no meio do Yoga e já teve várias interpretações e traduções, vejamos algumas:- “O divino que há em mim saúda o divino que há em você” ou “o Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você.” -“Que esse gesto simboliza que mente e coração devem estar em harmonia, para que nosso pensar e agir estejam de acordo com o Dharma.”-“Que é um reconhecimento da dualidade que existe no mundo material e simboliza um esforço interno para trazer essas duas forças unidas em equilíbrio.”- “Que simboliza a luz do coração, que não somente irradia para o próximo, mas também fortalece o contato com próprio Eu Divino, a nossa centelha divina, o Paramatma, ou seja, Deus em nossos corações.” Já li e ouvi algumas críticas a essas traduções e suas variações, dizendo que é são significados floreados ou muito poéticos para uma simples saudação, que equivale mesmo a um olá.De minha parte, acho que o gesto de unir as mãos em frente ao peito para saudar alguém pode ser um simples “oi” ou todas as outras opções e isso só vai depender da disposição interna de quem o faz. Aliás quase tudo na cultura indiana tem muitos significados, que se sobrepõe, tendo a profundidade que se quiser colocar ou conseguir enxergar.
Podemos transformar toda a nossa vida em uma sucessão de gestos e atividades banais e desprovidos de significado, ou podemos torná-la sagrada, repleta de energia de criatividade, de amor, de energia verdadeiramente Divina. E isso pouco tem a ver com resultados, reconhecimento ou sucesso. Tem muito mais a ver com o despertar de sentimentos de amor, de respeito e de reverência dentro de cada um de nós. Tem a ver com o reconhecimento de que o outro (muito embora não seja como eu quero que ele seja) é um ser como eu, e que merece o mesmo respeito que eu quero para mim. E o despertar desses sentimentos pode ser feito de início através de pequenos gestos como esse: unir as palmas das mãos em frente ao peito e tentar, mesmo que por alguns segundos, perceber ou imaginar que o outro não é diferente de mim, que viemos e somos feitos da mesma energia, que embora pareçamos separados do resto do Universo, não o somos.

As mudanças internas começam com pequenas atitudes como essa. Segundo o Ayurveda, para sairmos do estado de doença, precisamos cuidar de nossas mentes. Precisamos substituir os condicionamentos nocivos, que nos levam a desenvolver hábitos que geram os mais diversos desequilíbrios. De início, algumas práticas, gestos, mantras, reflexões, enfim, várias ferramentas que temos a nosso dispor para realizar essas mudanças, podem parecer estranhos. Mas devemos persistir e procurar ter entrega para que esse movimento interior possa ocorrer.
É assim com o Namaste. A princípio pode parecer apenas um gesto como outro qualquer, mas se você pensar a respeito de seu profundo significado e experimentar faze-lo com essa idéia, sua mente vai se modificando, entrando em uma vibração elevada de respeito e reverência, não apenas à pessoa que está a sua frente, mas reverência à vida como um todo. Unir as mãos em frente ao peito é um gesto muito bonito. O sentimento de união é um sentimento muito profundo e elevado, mas nem sempre fácil. Estamos mais acostumados à idéia de individualidade exacerbada, separação e auto-preservação paranóica. A auto-preservação é saudável quando em equilíbrio,aliás, como tudo na vida. E a idéia da separação gera o medo, que gera a violência. É o conjunto medo-violência que o primeiro preceito do Yoga, Ahimsa, quer ensinar o praticante a extirpar de sua vida e da sociedade. Mas esse já é outro assunto, sobre o qual falaremos no próximo texto.

Um abraço a todos e namastê!
Christiane
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26 Janeiro, 2009
Olá a todos! Namaste!
Ao voltar de nosso recesso de final de ano, li um ótimo texto escrito pela Mayra, do Navrattna Juvevê que me chamou muito a atenção pelo tema: gentileza. Ao ler o texto vivi mais uma daquelas situações na qual ouvimos, num curto período de tempo, sobre a mesma idéia ou conceito, várias vezes, em momentos diferentes, de fontes diferentes. Aconteceu isso comigo neste início de ano, com a idéia da gentileza, de doçura, da tolerância e respeito.
Na semana passada, assisti a uma palestra com Maharaj Param Gati Swami, da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (
Iskcon). A aula aconteceu no
Templo Hare Krishna aqui em Curitiba. Dentre vários assuntos, ele abordou a importância em sermos atenciosos, gentis, termos “senso de cavalheirismo” e respeito ao próximo, mesmo (e principalmente) quando estamos tentando transmitir ou ensinar aquilo no qual acreditamos. Isso torna os relacionamentos mais fáceis, mais verdadeiros e a possibilidade de troca de informações realmente acontece, sem os perigos do fanatismo.
Na mesma semana, participei das aulas do curso que o
Dr. José Ruguê ministrou no
Espaço Anam Cara, sobre Psicologia do Yoga e Ayurveda. O Dr. Ruguê é médico com especialização em Ayurveda e um dos profissionais da área mais respeitados no Brasil e na Índia. As aulas foram excepcionais e muito foi falado sobre a mente e seu funcionamento. Em muitos momentos, o Dr. Ruguê falou sobre a importância da espiritualidade na vida das pessoas, e principalmente do respeito e da tolerância na prática da espiritualidade e nos relacionamentos, para mantermos nossa saúde psico-emocional e ajudarmos a manter a harmonia do ambiente que nos cerca.
Então, li o
texto da Mayra falando sobre a gentileza. Todos os assuntos convergiam para o mesmo ponto: o quanto estamos nos acostumando a não sermos gentis. Pode ser por diversos motivos, mas acho que acontece muitas vezes não apenas pela pressa ou pelas exigências de uma vida cheia de compromissos e atividades. Penso que o principal motivo seja por um sentimento, uma impressão de que o outro nada tem a ver comigo. Explico: nosso senso de separação dos outros seres e do ambiente ao redor é tão estimulado, que na pressa (ou mesmo sem ela) eu quero mais é saber das minhas coisas e o outro está ali apenas para que eu possa realizar os meus afazeres. É claro que isso não é consciente, na maioria das vezes. Temos a união da pressa (para onde estamos sempre correndo?), da supervalorização do ego (o eu e o meu é sempre mais importante) e está pronto o resultado: falta de gentileza, de atenção, de tolerância, de compaixão. Falta vontade de se importar com o que o outro pensa, com os seus sentimentos. Falta vontade em se preocupar com o meio-ambiente, num sentido mais amplo, ou seja, não apenas ficar separando lixo e usando sacola de lona, mas também não ficar despejando emoções e energias nefastas nos lugares por onde passamos. E a rispidez, a falta de gentileza, falta de boa-vontade, de tolerância e de compaixão são das energias mais tamásicas (leia mais sobre esse conceito nos textos anteriores) que existem. E, em essência, são todas elas expressões de falta de amor.
E isso explica o título desse pequeno comentário: ecologia humana. A palavra ecologia tem origem no grego “oikos” que significa casa e “logos”, estudo. Ecologia é o estudo das interações dos seres vivos entre si e com o meio ambiente. Logo, o pensamento ecologista é uma forma de amor expandida. Mas, enquanto não amarmos (realmente) a nós mesmos e àqueles que nos cercam porque iríamos amar e proteger o meio ambiente?
Comecemos, então, como sugeriu a Mayra em seu texto, com as pequenas gentilezas: os bom-dias e boa-tardes, os obrigados, com licença…como nossos pais, primeiros mestres, já nos ensinavam!
Comecemos por tentar despertar em nós essa energia elevada de amor, tolerância, respeito e compaixão através dos pequenos atos do dia-a-dia, pois toda a nossa “grande” existência é feita dos pequenos momentos.

Desejo um 2009 com muitas realizações a todos!
Christiane
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17 Novembro, 2008
OS GUNAS – As três qualidades da natureza material – Parte III
Para finalizarmos nosso pequeno estudo sobre os Gunas, falaremos sobre as ações apropriadas para incrementar Sattva, o modo da clareza e da harmonia.
Apenas para relembrar, as ações que tendem a aumentar os estados de Rajas e Tamas provocam, respectivamente, turbulência e desesperança. Esses modos, quando dominantes, acabam por enfraquecer o espírito, dissipar as energias, turvar a mente, obstruir o crescimento e a busca pela liberação das influências do mundo material. Consequentemente, muitas doenças encontram um campo fértil para se instalarem, o que afasta mais ainda o indivíduo da busca espiritual e do estado de paz interior.
Ao invés de nos deixarmos levar inconscientemente pelas ações dos Gunas, podemos utilizá-los como ferramentas para tratamento, utilizando-os para alterar e aperfeiçoar nossos padrões de comportamento.

Tendo em vista que os Gunas influenciam desde nosso corpo material até aspectos mais sutis, como as qualidades de nossa mente e nossas tendências, com uma atitude reflexiva séria podemos identificar sob qual influencia estamos no momento e incrementar um ou outro Guna para nos movimentarmos em direção a Sattva Guna, que é o estado mais equilibrado. Por exemplo: se estamos muito “tamásicos” devemos incrementar Raja Guna, estimulando o movimento para sair da inércia e nos direcionarmos a Sattva. Como nos diz o Dr. David Frawley, estudioso de Yoga e Ayurveda : “ temos que aprender a navegar através dessas correntes contrárias para que possamos nos beneficiar da força espiritual ascendente e evitar a inércia não-espiritual descendente.”
Nos dias de hoje, a maioria de nós encontra-se flutuando entre Rajas e Tamas, com a mente ora turbulenta, cheia de ansiedade, agitação e frustração (rajas), ora com medo, dúvida,tendência a ficar inerte e sensação de insegurança e desesperança (tamas). De Rajas vem a falsa idéia do mundo exterior como sendo a Realidade última, o que nos faz buscar a felicidade fora de nós, nos desvia da paz interior e nos leva à dor e sofrimento. De Tamas vem a ignorância, a idéia do eu separado, a consciência identificada com o corpo físico, o que nos traz o sentimento de solidão, isolamento e medo, e nos leva também a dor e à imobilidade.
O mundo no qual vivemos é cheio de estímulos, ansiedade e pressões para a ação desenfreada: devemos estar sempre ativos, correndo de um lado para o outro, devemos ganhar, ter sucesso, ser produtivos, etc. Até mesmo o conceito de produtividade hoje é distorcido. Vemos pessoas estressadas, ansiosas, que praticamente não respiram, e sim arfam com tanta correria. A distorção é tanta, que mesmo nos momentos que deveriam ser de lazer e descanso, muitas vezes estamos fazendo mil atividades para “aproveitar bem” aquela pausa e voltamos ao trabalho mais cansados do que quando saímos.
De início, identificamos o movimento de Rajas, que nos faz ficar agitados e sempre ativos. Mas embora Rajas tenha seu valor para a mudança, com o passar do tempo leva a uma expressão exagerada de energia, que leva ao esgotamento e à dissipação dessa mesma energia, condição que nos joga em Tamas. Por isso é importante não exagerar na ação de Rajas. Embora ela seja necessária para nos tirar de Tamas, devemos utilizá-la como um degrau da escada em direção a Sattva, mas não nos manter nesse tipo de ação, pois do contrário, ficaremos constantemente passando de Tamas a Rajas e de Rajas a Tamas.

Para incrementar Sattva e gerar mais equilíbrio, harmonia e clareza devemos procurar modificar nossos hábitos em direção a essa harmonia que buscamos. Mudanças de hábitos nem sempre são fáceis, mas devemos ter persistência e paciência, pois os frutos dessas mudanças virão.
Sattva é incrementado por uma alimentação equilibrada, onde devemos evitar alimentos muito condimentados e os alimentos muito manipulados e industrializados, onde praticamente não há mais prana (energia vital). A alimentação vegetariana é a mais indicada, pois a carne, além de ser de difícil digestão e gerar muitos resíduos no corpo, também é de natureza tamásica, devido a todo o processo que envolve a sua obtenção, desde o transporte e a morte dos animais, até a sua conservação, durante dias após a morte deste ser, onde são usados conservantes (que matam os microorganismos que se desenvolveriam no processo de deterioração natural após a morte) e corantes (para disfarçar a mudança de cor na carne que naturalmente ocorre após a morte). Por tudo isso (e nem chegamos a citar os importantes motivos éticos e espirituais de não causar sofrimento a outro ser vivo), a carne é considerada um dos alimentos mais “tamásicos” que existe.
Portanto, uma dieta vegetariana equilibrada, alimentos frescos preparados com estado de espírito harmonioso, é a mais indicada para se incrementar Sattva. Devemos ser cuidadosos com o uso de condimentos. Embora eles possam auxiliar na busca do equilíbrio físico e mental, em demasia provocam o aumento de Rajas, que em excesso, promove o aumento de tamas, como já citamos.
Devemos evitar o uso de bebidas alcoólicas, de substância psico-estimulantes ou que alterem nosso estado de consciência, gerando confusão e distorção dos sentidos.
Devemos procurar locais para lazer onde possamos realmente descansar os nossos sentidos: locais silenciosos, que estimulem a renovação da energia vital. Devemos evitar locais poluídos e barulhentos, música muito alta e agitada, grande profusão de luzes, cores e imagens. Tudo isso causa um desgaste em nossos sentidos, que estão sempre hiper-estimulados e por isso acabam nos levando ao colapso de nossas energias.
Momentos de descanso com música suave, leitura tranqüila ou apenas um observar a paisagem, entregando-se apenas ao Ser.
Para incrementar Sattva, devemos procurar atividades que elevem nosso espírito, atividades que nos propiciem um mergulho em nosso Ser, como o Yoga, técnicas de concentração e meditação, canto de mantras, orações, técnicas de relaxamento, leitura de material voltado para a evolução espiritual e o sentido de nosso Ser. As práticas espirituais, as atividades físicas orientadas com intuito de manter a saúde do corpo e da mente, os momentos de encontro conosco mesmos e com pessoas que gostamos: esses são alguns dos passos que podemos utilizar para diminuir a ação de Rajas e Tamas, e incrementar Sattva. E novamente lembramos que, embora todos os Gunas tenham seu valor e atuem em vários momentos de nossas vidas, Sattva nos faz descobrir um local de força, quietude, harmonia e equilíbrio dentro de nós.

Felizmente, em algumas pessoas, essa pressão toda tem gerado uma necessidade de buscar opções de vida mais saudáveis, onde podemos modificar as ações e os hábitos que nos empurram para o colapso e para a doença.
Espero que esse pequeno estudo tenha ajudado a entender um pouco mais a ação dos Gunas e como podemos utiliza-los para passar do desequilíbrio a harmonia, da doença a cura.
Um abraço!
Christiane
Fontes:
- Dhanwantari, um guia completao para a vida saudável segundo a tradição Ayurvpedica – Harish Johari – Ed. Pensamento
- Ayurveda, a ciência da autocura – Dr. Vasant Lad – Ed. Ground
- Uma visão Ayurvédica da mente, a cura da consciência – Dr. David Frawley – Ed. Pensamento
- Ayurveda, a cultura de bem viver – Márcia de Luca e Lucia Barros – Ed. Cultura
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16 Outubro, 2008
Hridayananda Dasa Goswami (Horward J. Resnick, Phd) é mestre espiritual Vaishnava e estará numa video-conferência no próximo dia 25 de outubro, às 16h, falando sobre a aplicabilidade dos Yoga Sutras no dia-a-dia.
Esta video-conferência ocorrerá no Navrattna do Alto da XV.
Para saber mais informações, clique na imagem abaixo ou entre em contato pelo telefone (41) 3077-2756.

Reserve sua vaga antecipadamente.
Namaste.
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