Blog Navrattna Yoga - Juvevê

A anatomia no yoga e a incrível anatomia do Iyengar yoga

26 Outubro, 2009

Porquê ser específico com nomes e ações do corpo

Yoga não é apenas asana e pranayama  (as posturas e os respiratórios), mas também meditação, comportamento ético e conhecimento de filosofia. Entretanto, em sala de aula o negócio é bem físico: praticamos as posturas e controlamos a respiração.*

Por isso, a maior parte dos bons cursos de formação de professores de yoga ensinam anatomia aos seus alunos. Nada tão profundo quanto um estudante de medicina, ou de fisioterapia, ou de educação física. Mas um professor de yoga sabe reconhecer os principais músculos envolvidos na inspiração, na expiração, numa flexão, numa hiperextensão, o que é uma hérnia de disco, uma lesão no túnel do carpo ou uma retificação na cervical.

Existe um livro muito bacana, chamado Anatomia do Yoga, de Leslie Kaminoff, que mostra ilustrações das principais posturas do hatha yoga feitas a partir de fotos tiradas dos mais diversos ângulos. Os autores do livro colocaram praticantes sobre uma estrutura elevada de vidro e as fotos dos asanas foram tiradas de cima, debaixo e pelos lados para poderem ser mostradas por dentro. Muito interessante.

Outros dois livros, Key Muscles of Hatha Yoga e Key Poses of Hatha Yoga, vão na mesma linha do de Leslie Kaminoff. O autor destes dois, Ray Long, estudou com o mestre indiano B. K. S. Iyengar e mostra as ações dos músculos na manutenção dos vários alinhamentos da postura a partir de ilustrações tridimensionais.

Quando você começa a praticar yoga, pouco lhe interessa a anatomia do seu corpo. Você quer apenas se esticar e ficar sem dores nas costas, nos ombros e nas pernas. Mas a verdade é que é impossível praticar os asanas e os pranayamas sem conhecer minimamente a anatomia do próprio corpo e seus vários nomes.

Então, pouco a pouco, passada a estranheza de se sentar sobre os ísquios, passada a dificuldade de alinhar as cristas ilíacas, passada a bizarrice de encaixar o osso sacro, passado o desconhecimento de se alongar o osso esterno em direção do queixo, passada a surpresa de se alongar os dedos dos pés, tudo vai se incorporando à prática e você percebe seu corpo de um ponto de vista mais aprofundado. Um praticante de yoga confronta-se com seu próprio corpo, no primeiro estágio, serve-se dele, no segundo e pretende aliar-se a ele, no terceiro. Não sei se conheço outros, pois ainda navego entre os três, dependendo da postura que pratico ou do estado mental em que pratico.

Para transitar entre estes três estágios, é necessário conhecer minimamente a anatomia, como disse, mesmo que a gente seja suscetível a receios psicossomáticos quando começamos a entender como são frágeis e ao mesmo tempo resilientes os sistemas de mantêm a saúde e a integridade de nosso corpo. Se você tem dores lombares, não adiantará de nada praticar os asanas que irão melhorá-la, se não conhecer o mecanismo pelo qual conseguimos alongar a lombar. Isso envolve diversas coisas, como conhecer a importância dos pés na manutenção da estabilidade gravitacional da coluna, o papel da musculatura posterior das pernas, as ações da musculatura abdominal. Você vai precisar entender que o pé se estabiliza em três arcos, que a musculatura isquiotibial é encurtada ou que são encurtadas as pseoas menor e maior. Terá que ser assim se você quiser incorporar os benefícios e o conhecimento do yoga em seu dia-a-dia. Senão, você deixará de ter dores nas costas durante a aula, para voltar a sentir dores assim que se sentar no banco para calçar os sapatos.

Quando conhecemos minimamente como músculos, ossos, tendões e ligamentos funcionam, podemos  nos aliar ao movimento e à permanência que a postura ou o respiratório exigem. Como exemplo, basta que você entenda que a coluna se mantém em pé porque distribui o peso ao longo de suas curvas “pra frente” e “pra trás” que você descobre que nenhuma postura precisa ser feita na raça, sobre a força dos músculos ou sobre a congênita hiperflexibilidade de determinadas articulações. Toda postura pode – e deveria – ser feita na base da inteligência, ainda que usá-la requeira um esforço considerável de toda a estrutura óssea-muscular do corpo.

Então, em utthita parsvakonasana, é possível deixar o joelho direito aquém da linha do calcanhar, à frente ou em linha. Os pés podem ficar afastados aquém do alinhamento dos punhos, além ou em linha. A base do pé direito pode estar bem distribuída, má distribuída consciente ou inconscientemente. O joelho direito pode vir para frente do dedão do pé, para trás ou em linha. Os dedos dos pés podem estar igualmente apoiados, desigualmente apoiados, de propósito ou inconscientemente. E isto para ficarmos apenas no âmbito dos pés da postura.

Estes detalhes todos são relativos à técnica das posturas no Iyengar Yoga, que, eu penso, levou a anatomia a um nível de especificidade, dentro do yoga, bem alto e, ainda assim, diferente do nível altamente especializado da anatomia usada para uma cirurgia ortopédica ou para a prática de um tratamento fisioterapêutico.  Afinal, é yoga, não é medicina.

O incrível vocabulário da anatomia em Iyengar Yoga prima pela precisão, como todo o método em si. Biomecânica e cinesiologia são disciplinas que levam nossa prática, no Iyengar Yoga, daquele primeiro nível mencionado acima ao segundo e ao terceiro. Entretanto, como estamos no âmbito de uma disciplina espiritual, ao invés de médica, o método Iyengar Yoga conseguiu, mesmo com toda a preciosidade de detalhes, ser acessível ao praticante, porque trouxe a anatomia a termos simples e que fazem sentido depois de serem exemplificados.

Assim, você pode, como eu, estranhar a primeira vez que pedem para você girar a virilha externa. “Diacho”, você reflete, “minha virilha só dói dentro. Que que é virilha externa?” Mas, desde que um professor venha e lhe mostre do que se trata, ah, tudo fica claro e a partir dali, mesmo que você não consiga, você saberá interpretar o comando de girar a virilha externa, irá transmiti-lo ao seu cérebro e, dia mais, dia menos, seu cérebro vai criar uma comunicação sináptica para realizá-lo.

Mesma coisa com a tal da axila peitoral. Este termo não existe nem na anatomia básica, nem na aprofundada. Mas é um termo usado nas práticas do Iyengar Yoga e começa a fazer todo o sentido quanto o professor vem ao seu lado, lhe mostra o que você está fazendo com sua mão que não lhe permite alongar a axila peitoral e, a partir dali, você descobre uma nova região do seu corpo e começa a usá-la para a manutenção da abertura peitoral e da sustentação do sirsasana.

Em meu nosso último encontro no curso de Formação de Professores de Iyengar Yoga, perguntei ao Luigi se Iyengar teria descoberto todas as ações de uma postura sozinho ou se foram seus alunos, professores sêniores, que formaram, junto com ele, todo este corpo de conhecimento a partir de pistas iniciais. Não foram eles, foi ele mesmo. Incrível.

Experencio que a precisão de sua técnica, os ajustes, o uso de um vocabulário anatômico apurado não dificulta a prática do yoga com o método Iyengar. Pelo contrário, ajuda o leigo e o professor, o jovem e o maduro, o flexível e o rígido, o tamasico e o rajasico igualmente a adentrar no corpo e descobri-lo como a mais agradável experiência que se possa ter.

E quando você recebe o comando de empurrar as coxas posteriores para trás em adho mukha svanasana, você não fica pensando “que eu vim fazer aqui?”, mas pensa “por que desconheço minhas coxas posteriores e por que não consigo acessá-las?”. A única dificuldade com a prática deste método, é que talvez você não queira ir até lá, mas ele o levará de uma forma ou de outra se continuar praticando.

Namaste, Mayra.

* Ok, você um praticante veterano de yoga e pode não concordar 100% com esta afirmação. A razão de eu afirmá-lo é porque, no senso comum, quando dizemos que algo é físico, queremos dizer que algo é feito com o corpo e não com a mente. Assim, há trabalhos físicos, como levantar tijolos em uma construção, e trabalhos mentais, como criar uma campanha de publicidade;  há jogos físicos, como vôlei, futebol, e há jogos mentais, como o xadrez ou WAR. Com tudo que damos de exemplos, esta divisão entre físico e mental não sobrevive muito a uma reflexão apurada, seja porque é ilusória a divisão entre mente e corpo, seja porque – considerando-se que, embora ilusória ela seja prática -, um peão-de-obra vai lhe dizer que precisa usar muito a mente para não criar um muro torto e um enxadrista lhe dirá que precisa ter muita resistência física para suportar tanto stress mental.

Talvez uma leitura que você julgue interessante sobre estes meandros entre mente, corpo e espiritualidade seja o livro de Alexander Lowen, chamado A Espirutalidade do Corpo.  O Luz na Vida do próprio Iyengar também é um livro lindíssimo para se compreender como sua prática “física” de yoga o levou para o caminho da comunhão com o Divino.

Além disso, sempre me vem à mente o alerta que abre o livro de Geeta Iyengar (filha do Iyengar), entitulado Yoga, a Gem for Women: “We are missing the gold if we do asanas as a physical practice only.” (traduzindo, “Perdemos ouro se fizermos os asanas apenas como uma prática física.”).

Esta crônica foi publicada primeiro em www.casamay.com.br 

DICAS DE SITE:

Site sobre biomecânica

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Os 4 Pilares da Alimentação Consciente segundo o chef Flávio Passos

4 Outubro, 2009

Neste último sábado, dia 3 de outubro, participei de um workshop com o chef Flávio Passos, da TerraDourada.org.

A respeito do curso, escrevi uma crônica e postei fotos na minha comunidade Casa Máy. Você pode entrar lá para conferir.

Mas uma coisa que quero colocar aqui são os quatro pilares da alimentação consciente citados por ele. Antes disso, vale esclarecer que Flávio Passos é vegetariano e, se consome leite, é apenas leite de cabra. Segundo ele - e esta foi uma de suas opiniões que mais admirei -, não existe a dieta ideal. Existe a dieta ideal para você, para seu organismo. É o conceito da individualidade biológica dentro do campo da nutrição. Entretanto, longe de achar que, por conta disso, você possa ser um churrasqueiro inveterado! A carne, até mesmo da espécie peixe, está longe de ser ideal para o organismo humano; e hoje, mais do que nunca, seu consumo ameaça a sobrevivência da espécie humana neste planeta.

Dito isso, veja os 4 pilares desta alimentação de alta qualidade:

1º pilar: o alimento ideal é o natural - com isso, Flávio quer dizer que o alimento ideal vem da terra ao invés da fábrica;

2º pilar: o alimento ideal é predominantemente vegetal - com isso, Flávio quer dizer que devemos buscar um alimento que nos coloque em harmonia com a natureza e que não traga sofrimento a outro ser vivo sensiente;

3º pilar: o alimento ideal é minimamente modificado - com isso, Flávio quer dizer que a melhor maneira de comer um alimento que vem da terra é o mais próximo possível do estado em que ele está, ou seja, cru ou com o mínimo de cozimento possível;

4º pilar: o alimento ideal é o densamente nutritivo - com isso, Flávio quer dizer que devemos ingerir alimentos que trazem riqueza ao nosso jardim biológico e não o poluem. Esta é razão porque alimentos de origem animal, industrializados e cozidos não são preferidos numa dieta consciente.

Toda a base destes pilares vem da mudança de paradigma que faz com que nos enxerguemos como seres à parte da natureza. Quando começou o curso, Flávio nos pediu para que fechássemos os olhos e retivéssemos na mente a primeira imagem que associássemos com o tema natureza. Como vimos depois, a partir do relatos dos participantes, ninguém pensa em si mesmo quando pensa em natureza. Normalmente, pensamos em flores, água, animais, mas nunca em nós mesmos.

Isso me recorda uma conversa que tive com um amigo meu, biólogo, a propósito de seu filho, que tinha de fazer uma lição de casa onde descrevia o que se encontrava na fauna. Ele nos contava como teve de mostrar ao seu filho que o homem também deve ser incluído na fauna, o bicho homem…

Agora que você já conhece estes pilares, comece a pô-los em prática, não precisa ser tudo de uma vez, de uma hora para outra, mas um pouquinho a cada vez e sempre. E, para saciar seu lado gourmet, saiba que a alimentação crudívora pode ser deliciosa e linda, como eu mesma atestei no workshop dele.

Abs vegs, Mayra.

PS: hoje, comemorando o Dia Mundial do Animal, 4 de outubro.

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Aromaterapia em dois cursos: na técnica do relaxamento e oficina de manipulação - em novembro

1 Outubro, 2009

Na semana passada, fiz a primeira etapa de meu estágio para obter o certificado como professora da IBRA, o Instituto Brasileiro de Aromaterapia criado por Fabian Laszlo, da Laszlo Aromaterapia. Agora, falta apenas mais um prova e poderei contribuir para a linda empreitada de Fabian, que é tornar o uso da aromaterapia o mais conhecido possível no Brasil, como um tratamento de saúde seguro, eficaz e acessível às pessoas. Gosto de uma boa causa e esta é uma para a qual quero contribuir, para dar vazão aos meus ímpetos de fazer algo que valha a pena, junto com a bandeira do vegetarianismo, que já carrego aonde quer que eu vá.

Pois bem, a turma do curso de Introdução à Aromaterapia me pediu uma oficina de manipulação de aromaterapia, onde pudessem aprender a fazer sprays de ambientes, refrescante bucal, tônico capilar, óleos corporais, hidrolatos, argila perfumada, cremes e oligoaromaterapia.

Estarei dando esta Oficina de Manipulação de Aromaterapia no dia 21 de novembro, sábado, das 14h30 às 18h30, ao valor de R$ 80,00, já incluindo o material a ser utilizado, aqui em meu estúdio. O curso ocorrerá às vésperas de de dezembro e, se você curtir a ideia e gostar de mexer com estes oleozinhos, vai poder fazer seus presentes de Natal todos artesanalmente.

Outro curso que vai rolar, numa parceria com o espaço Anam Cara, é para ensinar o uso dos óleos essenciais no relaxamento, a partir da técnica conhecida como yoganidra, codificada por Satyananda, e amplamente adotada pelos praticantes de yoga. Neste curso, chamado de “Aromanidra”, vou ensinar como usar a prática do relaxamento do yoga em associação com o recurso natural da aromaterapia para promover bem-estar, saúde e equilíbrio. Não é necessário conhecer yoga nem aromaterapia para participar deste curso e você poderá aplicar a técnica em si, nos seus familiares e filhos, ou com seus parentes. Este curso ocorrerá nos dias 18 e 19 de novembro, quarta e sexta-feira, das 19h às 22h, no Anam Cara. O valor de participação é de R$ 80,00.

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas mediante pagamento antecipado, por depósito bancário, em minha conta do Itaú. ( Me envie um email pedindo os dados.)

Aguardo sua inscrição. Você, se já usa aromaterapia, vai adorar descobrir novos usos para ela e, se ainda não usa muito, vai se apaixonar perdidamente por estes frasquinhos de óleos essenciais.

Então, recapitulando:

- OFICINA DE MANIPULAÇÃO DE AROMATERAPIA - Dia 21 de novembro, sábado, das 14h30 às 18h30, no Navrattna do Juvevê - R$ 80,00

AROMANIDRA, RELAXAMENTO YOGANIDRA COM AROMATERAPIA - Dias 18 e 20 de novembro, quarta e sexta-feira, das 19h às 22h, no Anam Cara - R$ 80,00

Um abraço carinhoso, Mayra.

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Reportagem na revista Prana Yoga sobre Yoga e Aromaterapia

14 Setembro, 2009

Agorinha mesmo em setembro, nos dias 19 e 20, e também em outubro, nos dias 24 e 25, estarei em São Paulo, na empresa By Samia, ministrando meu curso Aromaterapia Aplicada ao Yoga.

A revista brasileira Prana Yoga Journal colocou uma matéria neste mês sobre o tema, com a qual eu colaborei, e também minhas amigas Susana Francovig e Alessandra Ângelo e minhas alunas Iara Foggiatto e Marilis Ferretti.

Escaneei a íntegra da reportagem para você ler. Achei que ficou bem legal.

Acesse-a, em PDF, clicando neste link: materiaprana_yogaroma.pdf

Bju, Má.

PS: Em novembro, estou planejando com o espaço Anam Cara este curso para Curitiba. Aguarde as datas definitivas.

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Segunda sem Carne e Lei Expedito - duas campanhas pró-vegetarianismo

28 Agosto, 2009

Desde que me associei à SVB-Socidade Vegetariana Brasileira, tenho participado mais da cena ativista vegetariana. Há inúmeros projetos legais, iniciativas heroicas e ideias inteligentes para mostrar às pessoas e aos governos como, pelo vegetarianismo, podemos:

1 - Impactar rápida e eficazmente na contenção do aquecimento global

2 - Frear a derrocada da Amazônia tal como a conhecemos (ainda dá tempo)

3 - Reduzir a fome no mundo

4 - Incentivar economias locais, com melhor distribuição de renda

5 - Reduzir significativamente gastos públicos e particulares com saúde

6 - Diminuir o índice de violência nos centros urbanos

7 - Colocar em pauta o paradigma do especismo, que incutiu em nossas cabeças de que somos - os seres humanos - donos do planeta e senhor de todas as espécies

Creio que, de todas as convicções que aprendi a construir ao longo destes meus 36 anos de vida, a mais séria foi de que não precisamos de carne, nem enquanto indivíduos, nem enquanto humanidade. E também, pela experiência, descobri que é mais fácil apresentar o vegetarianismo aos poucos que radicalmente às pessoas; e, também, que certamente mais vale você comer menos carne que muita, menos um tipo de carne que todas. No final, creio que acabamos, a partir de um pequeno passo, migrando naturalmente para o vegetarianismo/veganismo.

Por isso, coisa que não costumo fazer neste meu blog mas que agora julgo importante, é apresentar-lhe duas causas vegetarianas pelas quais lutar e para as quais você não irá precisar mudar radicalmente seus hábitos alimentares. Entretanto, adotando-as, já poderá causar um tremendo efeito na concretização daqueles 7 itens listados acima. São elas: Segunda Sem Carne e Lei Expedito

Segunda Sem Carne - Meat Free Monday (ou Meatless Monday)

Meu sonho de consumo: na segunda-feira, poder ir a qualquer restaurante da cidade porque é o Dia Sem Carne. Esta é a proposta da campanha  lançada pelo ex-Beatle Paul McCartney que será relançada, no dia 3 de outubro, no Brasil.

Super fácil: não coma nada de carne na segunda-feira. Encare como um jejum purificatório, não é tão difícil. Encare como seu momento ecológico-de-fato da semana. Faça disso um hábito. Comece a exigir no restaurante por quilo em que você almoça que eles adotem a campanha, fazendo mais opções vegetarianas neste dia.  Encare a verdade: não é porque apenas você, e quase ninguém mais, deixará de comer carne na segunda que não fará diferença no mundo. Fará, sim!

Para se informar melhor sobre a Segunda Sem Carne, leia esta matéria que o jornal Gazeta do Povo publicou a respeito:

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=918243

Lei Expedito

Mesmo quem não é vegetariano pode adotar esta campanha, em prol da correta informação nos rótulos dos produtos que compra. O projeto de lei é do Senador Expedito Jr. (PR/RO) para que todo produto alimentício, de higiene, cosméticos e roupas indiquem no rótulo se contêm ingredientes ou insumos de origem animal.

A exemplo do que foi obtido com o glúten, com o leite, com amêndoas, nozes e amedoins, com o corante tartrazina, com o glutamato monossódico e com a gordura trans - que hoje, se contidos nos gêneros alimentícios, precisam ser descritos nos rótulos - quer-se que leite, manteiga, mel, própolis, corantes de origem animal, coalho, alguns outros componentes, bem como lã, seda, couro, etc sejam indicados nos rótulos, para que vegetarianos e veganos não estejam sendo enganados pelas empresas mesmo que estas não tenham a intenção de fazê-lo.

Acho que esta lei é um avanço no Brasil e conto em angariar seu apoio também. Saber o que tem naquilo que comemos e vestimos é fundamental. Você não gostaria de saber se não está comprando um produto Made in China que garantidamente não usa mão de obra infantil? Você não gostaria de comprar uma madeira que garantidamente não veio de áreas preservadas da Amazônia? Você não gostaria de comprar uma carne - se você come carne - que está livre de hormônios que mexerão em seu metabolismo mais cedo ou mais tarde? Você não gostaria de votar em um político cuja ficha passada estivesse completamente aberta, com os pontos positivos e negativos para que você mesmo decidisse se releva ou descarta? Então, comprar um produto falsamente ou omissamente vegetariano, para nós, tem o mesmo valor.

Eu, na verdade, gostaria que este papo todo fosse mais longe: gostaria que o percentual de gordura trans nos rótulos fosse o contido em toda a embalagem, e não apenas naquela porção que as empresas mandam para ser testada em laboratórios, valendo-se de uma brecha da regulamentação a respeito na Anvisa; eu gostaria que o sucrilhos da Nestlé, que se diz integral, mostrasse quantos porcentos realmente são feitos de farinha integral; eu gostaria que os produtos diet dissessem quanto faz mal o aspartame; eu gostaria que a Coca-Cola dissesse que abrindo sua garrafa você compra felicidade porque está ingerindo cafeína, um estimulante que, se na dosagem errada, causa hipertensão; eu gostaria que o governo nos deixasse escolher se queremos comprar um sal iodado ou puro se fôssemos portadores de hipotiroidismo.

Na verdade, eu queria tanta coisa, mas ou eu trabalho e cuido de minha família ou eu milito e, quanto tenho tempo de militar, tenho que escolher o que é mais viável. E, certamente, estas duas campanhas o são. Por isso, as levo até você.

Faça sua parte. Reflita, pesquise, avalie outras opiniões médicas sobre o vegetarianismo. Não é mais um senso comum entre nutricionistas, médicos, bioantropólogos, sociólogos e economistas que devamos comer carne.

E, por favor, desista da ideia de que fazer apenas a sua pequena parte não fará diferença em todo o resto. Se todos pensarmos assim, realmente faremos a nossa parte para que não certo. E, se não pensarmos, certamente dará certo.

Aqui coloco vários links sobre este projeto de lei:

Video explicativo:

Explicações e links para acompanhar a tramitação no Senado: http://www.vista-se.com.br/expedito/

Petição Online pela Lei Expedito: http://www.petitiononline.com/vegano/petition.html

Finalmente, neste final de semana, dias 29 e 30 de agosto, a partir das 15h na Cinemateca de Curitiba, ocorrerá a 1ª Mostra Internacional de Cinema pelo Direito dos Animais, mais uma realização dos voluntários do Grupo Curitiba da SVB. Organizado por Bia Dantas e Moro Comunicação, apoiado por inúmeros ativistas vegans da cidade, mostrará filmes clássicos sobre o vegetarianismo, como o Earthlings e Meat the Truth e outros na mostra competitiva. Amanhã, na abertura, contaremos com a cantora Patricia Marx para falar sobre sua experiência como vegana.

Te encontro lá.

Abraços vegs, Mayra.

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Método Rolf e Iyengar Yoga - a importância do que está sob a pele

17 Agosto, 2009

Namaste. Tudo bem?

Neste post, quero falar de uma experiência que tive neste final de semana, que me foi amorosamente proporcionada por três mulheres: Carla Winnikes, dona da loja Sensorial Bazzar, no Juvevê, que me convidou a participar dela; e mais Janete e Claucia, as “rolfistas” que aplicaram o método Rolf em mim, por quase duas horas, a quatro mãos. Só tenho a agradecê-las por esta oportunidade e contribuir para que mais pessoas conheçam a técnica e compartilhem-na.

Pois bem, vamos lá.

Anos atrás, lembro ser uma pessoa muito frágil para receber massagem. Toda vez que um massoterapeuta apertava um pouco mais minhas costas, pescoço ou nádegas, eu sentia muita dor e, finalmente, acabava tensionando a musculatura como um reflexo para me proteger das manipulações. Não era raro que eu ficasse, por vezes, com hematomas espalhados aqui e ali.

Por conta disso, fiquei talvez um ano inteiro sem receber massagem, até que, dia destes, um torcicolo de lascar me colocou numa maca. Naquele dia, tive que ir ao salão de beleza para conseguir lavar o cabelo, porque não podia levantar o braço nem mexer o pescoço para trás ou para cima. Minha amiga Alessandra Ângelo veio aqui no estúdio e me fez uma massagem maravilhosa e consegui, no final da sessão, mover novamente meu pescoço e, depois de 3 dias, junto com a prática dos asanas, finalmente estava melhor.

O que mais me chamou a atenção nesta sessão de massagem foi que, apesar de eu estar com dor, não senti aquela dor excruciante ao ter minha musculatura manipulada. “Bem,” pensei, “afinal posso voltar a receber massagem”. Com esta resolução em mente, no último sábado aceitei o convite que Carla me fez para participar de uma sessão demonstrativa do método Rolf em sua loja. A sessão seria conduzida a quatro mãos pela psicóloga Janete e pela nutricionista Claudia, as rolfistas.

Eu não tinha a menor ideia do que viria a ser o método Rolf, mas imaginei que seria algo muito bom, porque a Carla já tinha feito e me disse ser maravilhoso. Notei que a maca dos terapeutas rolfistas é bem baixinha, na altura do joelho e isso me lembrou a maca dos quiropráticos, que também é mais baixa que a dos massoterapeutas tradicionais. Por aí, deduzi que a massagem teria a aplicação de força pois, quanto mais baixa a maca, mais conseguimos apoiar o corpo para usar seu peso nas manipulações.

Primeiro, Janete e Claucia me olharam de frente, depois de lado e depois de trás. Para uma praticante de Iyengar, é difícil ficar em pé sem se alinhar, ainda mais diante de olhares espertos. Então, elas me pediram que eu relaxasse, que ficasse em pé normalmente. Aí seus olhos brilharam e elas me disseram: “Ah, garota, vamos trabalhar seu assoalho pélvico.” Ora, ora, eu sei o que é o assoalho pélvico, então pude imaginar que eu estivesse com a lombar funda. Elas me explicaram que só fariam este trabalho numa sessão demonstrativa porque eu era professora de yoga e já tinha bastante consciência corporal, mas que não é o usual quando alguém vem pela primeira vez ao consultório delas.

Deitei-me de bruços, com os pés para fora da maca e cada uma delas começou a trabalhar minhas panturrilhas. Como conheço um pouquinho de massagem, de shiatsu e já recebi acupuntura, fiquei bem intrigada com as manobras, porque percebia que elas não seguiam nem as linhas dos meridianos nem atingia os músculos em si. Finalmente, perguntei o que exatamente elas estavam mexendo com aqueles movimentos profundos, precisos, compridos. Elas me explicaram que estavam trabalhando no nível da fáscia, o tecido conjuntivo de nosso corpo, que reveste nossos músculos como a pele de uma mexerica reveste os gomos.

Perguntei se seria o mesmo princípio da terapia crânio-sacral e elas me disseram que sim, porém a crânio-sacral traz um toque quase imperceptível ao corpo e atua quanticamente na fáscia, ao passo que o Método Rolf (ou Rolfing, dependendo a qual das instituições que ensinam este método no Brasil o terapeuta está associado) visa alongá-la, esticá-la, expandi-la, “amolecê-la”, para que ela entre novamente em seu lugar. Na definição de Janete, um rolfista é um desentortador de corpo.

Gostei da teoria e estava adorando a prática do Rolf. Tenho a fáscia plantar encurtada, que me dificulta um bocado algumas posturas em pé, como Vira III, Parsvottanasana e Adho Mukha Svanasana. Uma solução seria fazer aplicação de ultrassom na sola do pé com um fisioterapeuta, mas acabei não procurando nenhum, e decidi ir trabalhando os pés com o método Iyengar. Tem dado excelentes resultados, mas não tinha sentido o que é ter a sola do pé faiscando inteira como no momento em que Janete e Claucia “abriram” minha fáscia plantar embaixo dos nós dos dedos de suas mãos.

Aliás, esta sensação de faíscas no corpo é persistente numa sessão de Rolf. A cada momento que a fáscia cedia e a respiração a atravessava, Janete e Claucia exclamavam “aí, garota!” ou “olha que lindo!” e esta energia entusiasmada delas é contagiante e, certamente, contribuiu para minha entrega ao tratamento. Como é bom ver um profissional entusiasmado com o que faz, não é?

Durante toda a sessão de Rolf, não pude deixar de comparar este método, criado pela Dra. Ida P. Rolf, P.h.D., nos Estados Unidos, entre os anos 60-70, ao método criado pelo indiano B. K. S. Iyengar para a prática do yoga. Desde o diagnóstico do cliente, que passa pela percepção de seu alinhamento em relação ao eixo de seu equilíbrio gravitacional, até a noção de que cada parte do corpo é plástica e guarda o impacto de nossa mente em sua memória celular, tudo me sinalizou que Rolf e Iyengar Yoga têm muito a ver um com outro.

Em determinado ponto da sessão, Janete disse que meu sacro estava “cego” e, quando praticamos Iyengar Yoga, frequentemente dizemos que a lombar está ”sem vida”. Elas olhavam para minha lombar e diziam que a pele não respirava e, no Iyengar Yoga, dizemos frequentemente que determinada parte do corpo está realizando o movimento mecanicamente, mas sem inteligência nenhuma e, sendo assim, a execução do movimento fica vazia. No Iyengar Yoga, diferenciamos “movimento” de “ação” e aquelas rolfistas estavam despertando minha fáscia para a ação.

O Iyengar Yoga é um método ímpar e, de fato, foi no livro “Luz na Vida”, de Iyengar, onde primeiro li sobre a importância da pele na prática das posturas. Leia o trecho em que ele fala sobre isso:

“(…) Quando você se alonga, a periferia, por sua vez, remete as mensagens ao centro. Da cabeça aos calcanhares, você precisa encontrar o seu centro e, a partir dele, estender-se e expandir-se em longitude e latitude. (…) Costumo dizer que extensão é atenção, e expansão, percepção. É levar a atenção e a percepção até as extermidades do corpo e ativar a pele.

Enquanto pratica o ássana, é muito importante desenvolver sensibilidade na pele. É preciso criar espaço entre a pele e o tecido subjacente para que não haja fricção entre eles. Os tecidos contêm os nervos motores, e a pele, os nervos sensórios. Para fazer a inteligência circular livremente pelo corpo, sem interrupção, eles precisam funcionar entendendo um ao outro. É como uma lontra que só está colada a sua pele pelo nariz, pelas patas e pela cauda, e parece mover-se sem impedimentos.” (pg. 64)

É incrivelmente semelhante o que Iyengar fala neste trecho de seu livro com o que a Dra. Ida P. Rolf explica num vídeo (veja abaixo a Segunda Parte) sobre o que acontece quando as fáscias não colaboram para a movimento livre de cada músculo em relação a outro. Para nossa inteligência penetrar o asana e chegar até a superfície da pele, certamente, em algum ponto, estaremos trabalhando com as fáscias e fica muito mais concreto entender o que elas são depois de uma sessão de Rolf.

Além desta semelhança de propósitos terapêuticos entre o Iyengar Yoga e o Rolf, o que também me surpreendeu neste último método foram as fotos de antes e depois: há várias fotos mostrando como o alinhamento vertical dos clientes foi recuperado após a aplicação de 10 horas de Rolf.

Por tudo isso, recomendo o tratamento a você, seja praticante ou não de yoga, tendo ou não objetivos de autoconhecimento. Você pode procurar o Rolf para tratar de dores nas costas, problemas posturais, tensões musculares, dificuldades articulares e mesmo respiratórias. O tratamento consiste em 10 sessões e se recomenda, após estas sessões, uma sessão anual de manutenção.

Vou deixar aqui, no final deste post, o telefone de Janete e Claucia, as rolfistas que me atenderam, e também o link de três vídeos onde a própria Dra. Rolf fala sobre seu método e links para sites que representam e ensinam o método no Brasil.

Super abraço, Mayra.

Fone Janete: (41) 9244-0307 ; Fone Claucia: (41) 9948-0880 (Av. Sete de Setembro, 4214/sala 1403) - Batel - Curitiba, PR

Links sobre o Método Rolf de Integração Estrutural (ou Rolfing):

Site dos profissionais brasileiros do Método Rolf, ligados ao Guild for Structural Integration (EUA): http://www.rolfguild.net/

Guild for Structural Integration (EUA), site em inglês: http://www.rolfguild.org

Associação Brasileira de Rolfing: http://www.rolfing.com.br/

The Rolf Institute of Structural Integration (EUA), site em inglês: http://www.rolf.org/

Vídeos da Dra. Ida. P. Rolf no YouTube:

Método Rolf - Primeira Parte - legendado -  9h37min

Método Rolf - Segunda Parte - lem inglês legendado -  7:53min

Dra. Rolf faz a linguagem corporal de um paciente - em inglês sem legendas - 9:58min 

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Quem me Roubou de Mim? de Fábio de Melo, resumo e comentários

2 Agosto, 2009

Namaste, amigo!

Hoje lhe trago um resumo comentado do livro “Quem me Roubou de Mim?” do padre Fábio de Melo, que costuma, além de escrever, cantar, compor e se apresentar a multidões, pregar no canal Canção Nova e ser entrevistado por Marília Gabriela.

O livro foi uma boa surpresa, pois põe em palavras o que às vezes não conseguimos expressar bem. Como já sabe, acompanho a novela Caminho das Índias e existe uma psicopata na trama que a gente jura que é uma pessoa normal. O livro de Fábio cabe bem para explicar psicopatias, mas nem todo mundo que nos faz mal, necessariamente é um psicopata, mas pode, com certeza, estar arquitetando o que o autor chama de “sequestro da subjetiviade”.

Enfim, tá aí o resumo. É uma leitura pouco usual no mundo yogi, mas acho que vai apreciar as frases que amealhei da leitura.

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Quem me roubou de mim?, de Fábio de Melo: Resumo e Comentários - baixe o PDF

Um abraço, Mayra.

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Uma tração de meia-hora na coluna

23 Julho, 2009

Criar espaço no corpo é um dos objetivos da prática de Iyengar Yoga, mesmo quando se está dobrado e você diria, pela observação da postura, que não há espaço para mais nada ali.

Depois que finalmente introjetamos esta regra - de criar espaço - a prática começa a fazer mais sentido, bem como aquela infinitude de alinhamentos. Não que consigamos fazê-los todos - por favor! -, mas sabemos para onde devemos ir e isso é parte da prática.

A coluna, em Iyengar Yoga, nunca é sobrecarregada, mas sempre alongada, preservada, relaxada. Criar espaço entre as vértebras da coluna é uma preocupação constante, seja numa flexão para frente, numa extensão para trás ou numa invertida sobre a cabeça, onde nos preocupamos se a cervical está ou não sobrecarregada.

Esta saudável neurose em relação ao espaço, desconfio eu, é que permitiu se criarem tantas técnicas para colocarem pessoas com problemas de coluna nas mais variadas posturas. Assim, já vi praticantes com hérnias de disco na cervical fazerem sarvangasana e sirsana sem nenhum prejuízo a suas vértebras. Já vi uma pessoa com deslizamento de lombar fazer extensão para trás e posso imaginar o que mais estes professores fantásticos e experientes (sim, são experientes, têm 10, 15, 20 anos de docência em Iyengar Yoga) podem fazer para ajudar pessoas a melhorarem de seus problemas na coluna.

Mas não é comum termos professores deste nível entre nós e, claro, há muitas pessoas que não se identificam com a prática de yoga e, felizmente, há muitas terapias a que nós próprios, que praticamos yoga, podemos recorrer para nossa melhor saúde.

Hoje, creio firmemente que não devemos olhar o yoga como uma panacéia, mas como uma das possibilidades. Reputar tudo a uma única coisa não é sensato e por isso que gosto de conhecer o que médicos e especialistas andam fazendo por aí para tratamentos de saúde.

Nestas minhas andanças, estive numa clínica de fisioterapia em São José dos Campos, SP, onde conheci uma máquina que achei sensacional. Fiquei querendo me amarrar nela imediatamente para sentir o que ela poderia fazer que, suspeito, deva ser maravilhoso.

Trata-se de uma máquina de tração para a coluna. Ou seja, de criar espaço na coluna. Importada, se chama Triton DTS Traction System e está sendo usada, principalmente, em pacientes com indicação cirúrgica de coluna. A fisioterapeuta da clínica me disse que, recentemente, a UNIMED de São José aprovou o primeiro grupo de 25 pacientes para experimentarem pouco mais de 70 sessões de tração no equipamento, antes de concluírem pela opção de cirurgia em suas colunas.

Presenciei uma sessão e achei super interessante, pois, deitado, e mediante uma avaliação tanto mecânica, realizada pelo fisioterapeuta, quanto computadorizada, chega-se a uma carga que inicia com 10% do peso do paciente para tracionar partes de sua coluna. A máquina possui mecanismos de auto-ajuste e de proteção contra espasmos musculares durante a sessão.

Não sei se em Curitiba alguma clínica a utiliza. Espero que, com este post, alguém que já tenha se submetido a este tratamento possa me dizer se ele está disponível em nossa cidade.

Mas penso que, se os props em Iyengar Yoga fazem maravilhas a nossa coluna, os props mais modernos da informática aplicada à área médica podem fazê-lo também.

Por isso, se alguém conhecer este tratamento por aqui, por favor, entre em contato, pois quero poder fazer uma visita à clínica, conhecê-la e, se for o caso, indicá-la. Espaço na coluna é fundamental.

Um abraço, Mayra.

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Executar, manter e sair de uma postura em Iyengar Yoga, por Prashant Iyengar

16 Julho, 2009

Olá, amigos.

Tenho uma colega em São Paulo, Analu Matsubara, com quem compartilho textos e ensinamentos do Iyengar Yoga (Analu é professora certifica nesta prática). Ela me enviou este texto de Prashant, onde ele fala sobre a importância de se manter a consciência não apenas na entrada e manutenção da postura, mas a partir de último segundo antes de desfazê-la até desfazê-la por completo.

Este artigo foi gentilmente transmitido a mim pela Analu. Leia e aproveite.

Abs, Mayra.

Executar, Manter e Sair das Posturas de Iyengar Yoga por Prashant Iyengar “Você pode nos falar mais sobre a tecnologia externa e interna (orgânica) dos asanas em Iyengar Yoga e sobre as técnicas de fazer a postura, permanecer nela e sair da mesma?”  Prashant: Por exemplo, você sabe as técnicas de Tadasana, Trikonasana e como obervar suas pernas, espinha, peito, braços, mãos, dedos e dedos dos pés. Voce sabe que existem técnicas anatômicas, esqueléticas, musculares, e como cada uma dessas partes devem se posicionar. Similarmente, se você observa que existe uma posição para o esterno e o peito em Tadasana, deve também existir uma posição para os intestinos, cólon e fígado. Ou em Trikonasana , se você sabe que a espinha deve ficar de certa forma, então o peito, as pernas e os órgãos internos deverão também estar em determinadas posições. E , a partir daí, você cria certas ações na postura para manter a mesma. Isso não é apenas um exercício onde você cria movimentos sucessivos ou de isometria; aqui você precisa levar a respiração a determinadas partes e ser habilidoso para manter a estrutura. Assim sendo, existem ações para manter a postura e outras para sair da psotura. Portanto, são três aspectos num asana: execução, permanência e saída. Você pode ser muito escrupuloso ao entrar em Trikonasana: você ajusta seu quadril, os ísquios, as virilhas. Imagine que você está no lado direito e você sabe como o ísquio direito deve mover-se, como a virilha direita deve mover-se; mas quando você sai do asana em Iyengar Yoga você igualmente precisa observar essas mesmas partes. Quando você desfaz a postura, você apenas desfaz. Você é analítico, cuidadoso, meticuloso, lento para construir o asana, mas se desintegra  quando escuta “desfaçam o asana”. Quando você desce para entrar no asana em Iyengar Yoga você vai em etapas, em estágios, observando em cada fase os diferentes movimentos de cada parte do corpo, mas quando você sai, geralmente você não observa tanto. Asanas em Iyengar Yoga precisam acontecer como estados e você deve permanecer em determinado estado e alcançar um determinado estado. Existe inicio e fim para cada asana em Iyengar Yoga. Por isso que a técnica para descer tem uma estrada particular: em Trikonasana, quando a sua mão desce não significa que voce já terminou o asana pois existem inúmeras ações a serem feitas e mantidas, tais como esticar ainda mais a outra mão para cima, girar a cintura, girar as costas, alongar a espinha, abrir o peito, girar os ombros para trás, etc. Todas essas coisasa acontecem depois de você ter descido com a mão.  Então, você está ainda fazendo o asana e o que acontece? Você sai do asana em Iyengar Yoga quando as ações terminam e isso não é apropriado, pois você não permaneceu tampouco sustentou a sensação da postura.  Terminado o aspecto das ações em Trikonasana, você deve permanecer e daí o asana pode começar a acontecer. O conceito de usar um timer também pode ser bem equivocado: Trikonasa 1 minuto de cada lado. Mas no segundo 59 você se desconecta totalmente e sai da postura. Quando você está ficando na postura, você está continuamente fazendo algo para manter a mesma, depois você simplesmente fica na mesma e deixa o ciclo prânico acontecer, o ciclo psicomental acontecer, a consciência e o “dar-se conta” acontecer. Veja depois a sua saída sustentada, sem cair para frente, de forma lenta, equilibrada, sem colapsos. No exemplo das retroflexões o que acontece? Um lindo Rajakapotanasana é fotografado e, de repente, após o flash, mãos e pés caem no chão com um estrondo. Rajakapotanasa ou Padhagustasana, Dhanurasana, imagine essas posturas, como você sai delas? Onde está o controle? Então, é por isso que sair da postura é algo tão importante; você desenvolve também aqui estágios. Quando você sai de forma ruidosa, cria todo tipo de turbulência na mente; por isso, observe sempre, no sistema do Iyengar, as três partes  ou aspectos do asana: como entrar na postura? Como mantê-lo ? Como sair da postura em Iyengar yoga? Em cada um desse estágios temos ações a serem feitas.

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Sidarta, de Hermann Hesse - resenha e comentários

6 Julho, 2009

Namas te.

Há mais ou menos 4 anos atrás, quando meu primeiro filho tinha ainda poucos meses de vida, li Sidarta, de Hermann Hesse, e me apaixonei pelo livro, tanto que o coloco até hoje como uma das literaturas preferidas no meu perfil do Orkut.

sidarta_livrohermannhesse.jpg

 Então, dando uma limpeza em meus documentos no micro, deparei-me com esta resenha e comentários que fiz, naquela época, ao livro. Me pareceu que ainda está bom, bem escritinho, então arrisco colocá-la no ar para entusiasmar outros a lerem este livro também.

A resenha e comentário estão em arquivo PDF, portanto será necessário que você tenha o Adobe Acrobat Reader instalado em meu computador, ok?

Leia minha resenha e comentários ao livro Sidarta, de Hermann Hesse.

Super abraço, Mayra.

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